Games auxiliam no aprendizado de crianças e adolescentes, segundo pesquisa

Shaulla Figueira - O Globo Online
 

WASHINGTON e RIO - Os vídeogames podem ser mais úteis para a educação de crianças e adolescentes do que se imagina. Segundo uma pesquisa realizada pela Federação de Cientistas Americanos, os jogos desenvolvem características como: pensamento analítico, facilidade de trabalho em equipe, capacidade de resolver vários problemas ao mesmo tempo e de raciocínio rápido sob pressão (clique aqui e saiba como escolher o jogo).
  

- O lúdico dá motivação para jogar e facilita o processo de aprendizagem. Dependendo do game, adolescentes e crianças podem desenvolver muitas capacidades - explica Cristina Casadei, professora e membro da Escola do Futuro, núcleo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com Henry Kelly, presidente da Federação de Cientistas Americanos, diferentemente dos professores de carne e osso, os games nunca perdem a paciência e cativam de tal forma os estudantes que eles podem aprender horas sem parar, por conta própria. Mas, segundo ele, ainda é necessário desenvolver outras pesquisas sobre quais características dos games são importantes para o aprendizado:

- É preciso fazer mais estudos para descobrir o que e como eles aprenderam jogando. Infelizmente, este é um investimento que a indústria privada ainda não tem como assumir - disse Kelly, que foi conselheiro de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, durante o governo Clinton.

Raphael Dias, estudante de engenharia de computação, que vai se especializar em games para consoles e PCs, defende que os games já existentes podem contribuir e muito para o aprendizado dos pequenos e dos jovens.

- Sem nenhuma alteração em sua forma atual, já temos jogos que são ambientes de aprendizado muito eficientes. Os games sempre estimulam algum tipo de aprendizado porque lidam com o desafio, além de estimular o interesse do jogador em descobrir algo novo – destaca.

O estudante conta que seus pais têm uma locadora de vídeogames há 10 anos, e por isso, foi cobaia desse tipo de aprendizado:

- Verifico no meu dia-a-dia o quão valiosas foram as lições que aprendi nos games, e que uso hoje nos meus estudos e nos meus trabalhos.

Atualmente, mais de 200 tipos de jogos são lançados por ano e, apenas nos Estados Unidos, mais de 225 milhões foram vendidos, o que equivale a quase três vezes a receita gerada pela indústria cinematográfica.

Falta de conhecimento ainda é empecilho na sala de aula

Segundo Esteban Clua, coordenador dos cursos de games de extensão e pós-Graduação da PUC-Rio e diretor da Associação Brasileira de Desenvolvimento de Games, as escolas americanas, japonesas e coreanas já atentaram para a utilidade dos games como ferramenta pedagógica.

- Estas instituições pegam os jogos já existentes no mercado e tentam explorar e extrair certos aspectos que podem ajudar na hora do aprendizado – afirma Esteban.

Para ele, é fundamental que os professores tenham conhecimento desse tipo de ferramenta e a vejam não só como um instrumento de entretenimento. Eles precisam aprender a criar roteiros de utilização para os jogos:

- Temos uma geração de educadores que nunca jogaram e têm medo de jogar. O sistema digital de educação ainda é muito carente. Se não houver um educador para guiar, os jogos realmente funcionam apenas como diversão.

Raphael lembra que os games muitas vezes são associados a desvios de comportamento e excessos. Para ele, este é um dos muitos empecilhos à implementação dos jogos nas escolas.

- Infelizmente ainda há muita resistência de diretorias e pais ao uso de games para educar – lamenta.